quarta-feira, 17 de março de 2010

Apetências


Na juventude, algures nos finais dos anos setenta, fui, durante três anos consecutivos, dirigente da associação de estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa.
Lembro-me de, um dia, ter tido uma reunião com o Reitor, na altura o Professor Rosado Fernandes.
Durante uma conversa, aparentemente, de mera circunstância, o Professor considerou que os políticos deviam ficar fora dos muros da Universidade, o que não significaria, obviamente, que aos universitários estivesse vedada a acção política.
De facto, para além da delimitação de campos, há também que ter em conta a entrada em áreas que lhe são estranhas por parte de pessoas que para isso não foram preparadas. E, provavelmente, pior ainda, não "têm mesmo queda" para isso.
E, refira-se, o bichinho da política pode ser muito sedutor!
Lembrei-me deste argumento ao ver a recém-deputada Inês de Medeiros!
A câmara marota da tv mostrava como ela sofria perante os argumentos políticos das outras barricadas. Sim, disse barricadas, e não bancadas, já que ela se sentia particularmente ameaçada pelos tais argumentos. E nem a actriz que ela é, conseguia dissimular o sofrimento!
Minutos depois foi a vez de um deputado da mesma "barricada", cujo nome desconheço, mas que tem aquela patusca pronúncia açoreana (nós, alfacinhas, como diria Whitman, "born here of parents born here, of parents born here the same", somos tramados, não somos?), não conseguir disfarçar o seu sofrimento!
O pobre de Cristo tinha tantos tiques faciais que mais parecia estar prestes a ter um acidente vascular cerebral!
Porque não arranja ele uma profissão menos stressante?
Entretanto, João Semedo, numa bancada em que eu só votaria in my wildest dreams, mostrava o que era exercer a função de deputado.
João Semedo está no lugar certo, enquanto a pobre Inês não consegue estar em sossego em seu assento!
Porque é que ela não volta aos (outros) palcos?
Afinal, se querem ganhar votos com um rosto feminino, jovem (e bonito), não se esqueçam que na bancada socialista há uma outra jovem deputada, Djamila Madeira, certamente mais brilhante nesta função parlamentar (e que em beleza não fica nada a dever à actriz - perdoai este heterossexual comentário!).
Por que razão estará ela, depois de uma passagem competente pelo parlamento europeu, relegada para um lugar menor na lista por Faro?
Entretanto, resta-nos ver a Inês, e o tal açoreano, a sofrer no canal do parlamento!

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