quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Perplexidade


é o mínimo que podemos dizer ao saber da morte de Robert Enke. Há já dez anos atrás, quando ia à bola com os meus miúdos, dizia-lhes que eles estavam a ter a oportunidade única de ver jogar aquele que um dia seria considerado um dos maiores guarda-redes dos nossos tempos.
Curiosamente, a sua imagem que retive na memória é a de quando ele passeava um cão enorme perto da minha casa, com um paperback no bolso dos jeans.
Porque desaparece alguém de tão singular, de dotes tão excepcionais?
Que agora, enfim, descanse em paz!

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

"Fuga" e "Contraponto"






Por que razão terá Charles Sheeler escolhido estes títulos com óbvias ressonâncias musicais para os quadros que vos deixo?

Boas imagens!



E Cecília disse:

"...Ausências Presentes...
Memória e Reflexão sobre a condição humana

Unsuk Chin:

Rocaná (Room of light/Espace de lumière)(2008)
Violin Concerto (2001)

[ANALEKTA]

Grata,
C."

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Num vortex de actividade,


tempo apenas para vos deixar este belo poema de Herberto Helder na morte de Mário Cesariny:





"corpos visíveis,
nobilíssimos,
inseparável luz que move as coisas,
ter um inferno à mão seja qual for a língua,
toda a água é inocente e escoa-se entre as unhas,
à porta do forno crematório alguém lhe toca,
vai lá, vai que te acolham, brilha, brilha muito, brilha tanto quanto não possas, brilha acima,

faz brilhar a mão que melhor redemoinha,
a mão mais inundada,
e ele entra sem esperança nenhuma,
só na última linha quando o coração rebenta,
reconhece quem o olha"

Boa semana!

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

"Um pouco mais de Europa"




De novo um poema de Moniza Alvi, o VI, de Europa:

"His tender glance
settled on her,
flitted on and off
like a cabbage-white.

Europa stretched out her hand
and touched him
and the being
who hid like a stowaway
inside him."

A reprodução é de O Rapto de Europa, de Matisse.

Bons poemas!

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Europa, segundo Moniza Alvi


que, diga-se de passagem, é uma das vozes que mais aprecio no âmbito da poesia inglesa contemporânea.

Eis o fragmento XIV do seu livro mais recente, intitulado... Europa:

"But still
she pressed her legs
against the swimming bull,
clutched him, slid against
his heaving paleness.

Where was she,
Agenor's daughter?
Wrenched from herself,
flung across worlds."

Sexy, n'est-ce pas?
Foi editado no ano passado pela Bloodaxe Books.
Voltarei a ela em breve.
A reprodução deste Rapto de Europa é de um quadro de Hugo Claus.
Boas leituras!

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Americanistas em Letras



de Lisboa! É aí que devereis estar dentro em breve, pois a Linha de Acção de Estudos Americanos do CEAUL (Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa) vai organizar um simpósio internacional, que reúne especialistas nacionais e internacionais, subordinado ao tema “Post-Racial America”, celebrando o bicentenário de Abraham Lincoln (1809-1865) e o centenário de Eudora Welty (1909-2001), duas figuras centrais na cultura e na literatura norte-americanas.

O evento é aberto à comunidade e de entrada livre, oferecendo comunicações, debates, mesas redondas com escritores e dinamizadores culturais, filmes (na Cinemateca e na Faculdade de Letras), exposições (posters de Lincoln e fotografias de Tracy Corvo, da série Barbie Doll htpp://www.tracywrightcorvo.com/galleries/barbiegirls/), e ainda contadores de histórias que actualizam o legado de Welty.

Até lá!

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Ainda a propósito do António Sérgio




sobre o Dia de Todos os Santos escreveu o Beato Jan van Ruusbroec (1293-1381):

"Na vida eterna, contemplaremos com os olhos da inteligência a glória de Deus, de todos os anjos e de todos os santos, assim como a recompensa e a glória de cada um em particular, das maneiras que quisermos. [...]

O outro coro é o dos anjos; ainda que pela sua natureza estes sejam seres mais elevados, nós, os homens, recebemos mais de Jesus Cristo, com Quem somos um. Ele será, no meio do coro dos anjos e dos homens, o supremo pontífice, diante do trono da soberana majestade de Deus. E, diante de Seu Pai celeste, Deus todo-poderoso, oferecerá e renovará todas as oferendas que Lhe forem apresentadas pelos anjos e pelos homens; e estas renovar-se-ão ininterruptamente, e para sempre se manterão na glória de Deus."