quinta-feira, 11 de julho de 2019

Antonio Lopez, uma exposição

do fotógrafo americano no Centro Cultural de Cascais a não perder. A não perder também a leitura de "A Visionary Language", o texto do catálogo da autoria da curadora Anne Morin (aliás, cita Sylvia Plath... que tal?). Aqui vos deixo um breve passo (inicial), precedido destas linhas de Henri Michaud - Queria desenhar a consciência de existir e a passagem do tempo - para aguçar o apetite: Ao escutarmos o primeiro andamento da Sinfonia nº 41 de Mozart, a Sinfonia Júpiter, ficamos de imediato impressionados com a sua estrutura binária, nitidamente definida, e as tonalidades diametralmente opostas e até contraditórias. Mozart compõe o pano de fundo para este contraponto através de uma interacção subtil de formas, cores e ritmos alternados. Cria uma ligação entre algo flutuante e leve e algo denso e agitado, que troa e ribomba e, no auge da tensão, do seu paroxismo, desencadeia a simetria intrínseca da totalidade da peça. A exuberante fuga ergue-se para marcar a modulação serena de um andante cantabile, decrescendo em seguida para um silêncio breve, antes de elevar nos ares uma vez mais.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

A Edward Lear,

conhecido pelo "homem do nonsense", se deve um belo livro de viagens, por ele próprio ilustrado, que dá pelo nome de The Cretan Journal. Sobre Rethymon, cidade (mais um lugarejo, dir-se-ia, na altura) por ele pintada nesta imagem, escreveu Lear a 8 de Maio de 1864. Era um Domingo, por volta das dez e meia da manhã: "We [ele e o seu "mordomo" e fiel companheiro Giorgis] dawdled back, heat already beginning to be great. The long lines of Rethymon are a bore, but the clear sparkle of the city and the broad band of Sphakian snow white separating lilac and blue is fine, in the mountain distance." Quando puderem, leiam este livro.

O azul do horizonte em Corfu,

segundo Lawrence Durrell, em Prospero's Cell: "Somewhere between Calabria and Corfu the blue really begins. All the way across Italy you find yourself moving through a landscape domesticated - each valley laid out after the architect's pattern, brilliantly lighted, human. But once you strike out from a flat and desolate Calabrian mainland towards the sea, you are aware of a change in the heart of things: aware of the horizon beginning to stain at the rim of the world: aware of islands coming out of the darkness to meet you. [...] You enter Greece as one might enter a dark crystal; the form of things becomes irregular, refracted. Mirages suddenly swallow islands, and everywhere you look the trembling curtain of the atmosphere deceives."

A propósito de "Prospero's Cell", de Lawrence Durrell,

escreve Jo Collen: It was Lawrence Durrell who had the idea to move to Corfu with Nancy in the winter of 1935. He had been inspired by his friend, George Wilkinson who had sent letters describing the warm sunshine of Corfu. Increasingly frustrated with “Pudding Island” and “the English Death”, Lawrence longed for something different and Nancy, an artist, was happy with the idea of a more bohemian lifestyle on a Greek Island. When Louisa Durrell, or “Mother Durrell” as the family called her, announced that the whole family would also like to move to Corfu, Lawrence was quick to distance them, but he didn’t exclude his wider family from his plans entirely. Lawrence and Nancy arranged to travel first to Corfu, with the rest of the family coming later. Once in Corfu, Lawrence and Nancy at first settled in a little villa in Perama that Lawrence called Villa Bumtrinket. When the rest of the family arrived, they set up home in The Strawberry Pink Villa close by, overlooking the iconic Mouse Island. Aqui fica uma imagem de Nancy, mencionada no obra apenas como N. Sobre ela, escreveu o poeta arménio Ivan Zarian (segundo ele próprio, "o maior poeta arménio"): "Dear Durrell: we miss you but most your beautiful wife. Dear Boy, yes, certainly I have immortalized you this week."

A não perder na RTP2

A série inspirada em The Corfu Trilogy, da autoria de Gerald Durrell, irmão mais novo do nosso colega Lawrence. Passa ao domingo à noite. Uma terna imersão na memória de uma família em busca de um novo sentido para a vida, alguns anos após a morte do pai. Aqui vos deixo uma imagem retirada da série, e uma outra com o registo dos anos ali passados (a preto e branco, claro!).

terça-feira, 23 de abril de 2019

John 20, 11-18

Jesus said to her, "Woman, why are you weeping? Whom are you looking for?" Supposing him to be the gardener, she said to him, "Sir, if you have carried him away, tell me where you have laid him, and I will take him away." Jesus said to her, "Mary!" She turned and said to him in Hebrew, "Rabbouni!" (which means Teacher). Jesus said to her, "Do not hold on to me, because I have not yet ascended to the Father. But go to my brothers and say to them, ‘I am ascending to my Father and your Father, to my God and your God.’" Mary Magdalene went and announced to the disciples, "I have seen the Lord"; and she told them that he had said these things to her.In this passage, Mary Magdalene experiences a roller-coaster of emotions. At the beginning, she is grieving for her lost friend, and for the hopes that were also lost when he was killed. What is there in your own experience that tells you what that is like?

segunda-feira, 25 de março de 2019

No dia que hoje celebramos

este poema de Coreografando melodias no rumor das imagens: Ecce Ancilla Domini, Dante Gabriel Rossetti Pier Paolo reconheceu o seu/ rosto numa jovem desconhecida,/ Margherita Caruso, de seu nome./ Talvez nela tenha sentido/ a beleza moral que/ Masaccio outrora fixara./ Tu, Dante Gabriel, desvendaste-o/ em Christina, tua irmã, em seu/ tímido, recatado pudor.// Pier Paolo escolheu a nudez/ que alguém considerou desolada,/ de Sassi di Matera, como/ cenário./ Tu, Dante Gabriel, concebeste-o/ no austero conforto d’um claustro.// A Pier Paolo bastou o/ olhar expectante de Margherita./ Para ti, Dante Gabriel, habituado/ que estavas a viver na prosa/ do mundo, era inevitável/ o lírio branco.// Ambos viram, porém, o seu rosto/ em jovens como tantas outras/ que, entre nós, habitam.// Eu reconheci-o hoje pela manhã,/ ao olhar para ti/ quando dormitavas -/ come sei bella con la tua faccia/ stanca. // Não longe de nós, o/ menino e o luar, frutos teus,/ repousavam./