segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Jessica Powers
é uma poeta americana do século XX, sobre a qual orientei uma dissertação de mestrado (escrita por João Banha Correia, se a memória não me falha!) já lá vão uns quinze anos. Convidei, então, para a arguir um colega de percurso académico, António Botelho de Amaral. O António ficou tão emocionado com a descoberta da poesia de Powers que, numa incursão pelos Estados Unidos, foi visitar lugares onde ela viveu, tendo conseguido mesmo contactar com pessoas que a conheceram. Nestes tempos de correrias, não raro ignoramos que a vida académica é também (e acima de tudo) feita de entrega, dádiva e paixão, como esta. Eis um poema de Jessica Powers: "I walk in a cloud of angels./ God has a throne in the secret of my soul./ I move, encircled by light,/ blinded by glowing faces,/ lost and bewildered in the motion of wings,/ stricken by music too sublime to bear./ Splendor is everywhere./ God is always enthroned on the cherubim,/ circled by seraphim./ Holy, holy, holy,/ wave upon wave of endless adoration./ I walk in a cloud of angels that/ worship Him."
Conversione di San Paolo
Pintada por Caravaggio em 1601 para a Capela Cerasi da Igreja de Santa Maria del Popolo, tendo como pando de fundo Actos dos Apóstolos 22,3-16. Eis um excerto deste passo: ... no caminho, ao aproximar-me de Damasco, por volta do meio-dia, de repente brilhou ao redor de mim uma intensa luz vinda do Céu.
Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: ‘Saulo, Saulo, porque Me persegues?’.
Eu perguntei: ‘Quem és Tu, Senhor?’. E Ele respondeu-me: ‘Eu sou Jesus Nazareno, a quem tu persegues’.
Os meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz que me falava.
Então perguntei: ‘Que hei-de fazer, Senhor?’. E o Senhor disse-me: ‘Levanta-te e vai a Damasco; lá te dirão tudo o que deves fazer’. Votos de uma boa semana.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Como ler um detalhe
(as figuras geométricas) em Guidoriccio da Fogliano, de Simone Martini. Eis a sugestão de Antonella Anedda em La vita dei detagli – Scomporre quadri, immaginare mondi: "Non solo stelle ma triangoli bruni, losanghe nere su stoffa ocra, nodi e rotelle: il mantello tartaro di Gerione nel XVII canto dell’Inferno."
As asas do desejo...
palavras inspiradas de Rilke que flutuam na nossa memória: "Als das Kind Kind war,
wußte es nicht, daß es Kind war,
alles war ihm beseelt,
und alle Seelen waren eins."
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
"«Será permitido ao sábado fazer bem...
... ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?». Mas eles ficaram calados." (Evangelho segundo S. Marcos 3,1-6). A propósito do Salmo 91,3,4-5,7, escreve Santo Hilário (c. 315-367): O Senhor trabalha no dia de sábado? Com certeza, de outra forma o céu desaparecia, a luz do sol apagava-se, a terra perdia consistência, todos os frutos perdiam a seiva e a vida dos homem perecia se, por causa do sábado, a força construtiva do universo deixasse de agir. Mas, de facto, não há qualquer interrupção; durante o sábado, tal como nos seis outros dias, os elementos do universo continuam a cumprir a sua função. Através deles, o Pai trabalha, pois, todo o tempo, actuando através do Filho que nasceu dele e por quem tudo isto é obra sua.
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
O sectário.
Ainda a propósito da campanha eleitoral, ou sobre as virtudes pedagógicas da poesia, eis um excerto do poema, em cinco partes, intitulado “T. C. (1568-1639)”, da autoria de Hans Magnus Enzensberger. O poema pertence a Mausoléu (Cotovia), cuja versão para português pertence a João Barrento. Eis o excerto, então: "O sectário é cego e surdo./ O seu percurso de vida está de tal modo dependente do acaso que ele pertence necessariamente aos seres vivos mais férteis; por isso, um sectário pode ter numerosa descendência./ A reprodução do sectário dá-se por segregação de membros, ovos, larvas, barbatanas, borbulhas, cápsulas, bolhas, areias./ A cura é sempre difícil porque, quando a cabeça do sectário não é eliminada, nasce rapidamente um corpo."
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