quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Em tempos de tantas cesuras...
convido à leitura deste passo do Evangelho segundo S. Lucas 17,11-19. Talvez a meditação que ele suscita nos conduza à procura de uma vida marcada pelo agradecimento das pequenas coisas que - no trabalho, na relação com os amigos, com a família - marcam o nosso quotidiano:
Naquele tempo, indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia.
Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância,
disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós».
Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra.
Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz,
e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um samaritano.
Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove?
Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?».
E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».
terça-feira, 10 de novembro de 2015
O cerco à Assembleia da República vivido pelo protagonista de "Pentâmetros Jâmbicos"
CAPÍTULO 21 de Pentâmetros Jâmbicos, intitulado "Cercos e scones "
O Senhor estava lá!
Chá preto e scones, eis uma prova de que Deus existe, pensou o Carlos. Para logo dizer para si, perdoai-me, Senhor, ‘tava a brincar. Depois pegou no porta-moedas e deitou contas à vida. O Vítor emprestou-me o Manual de Mineralogia do Dana, versão de Klein e Hurlbert que eu precisava de comprar. Se m’ atirar a umas noitadas a fazer fichas não só poupo o dinheiro do livro como das fotocópias. Além disso, já são duas horas. Se não me lembrar do almoço, sempre ficam mais uns trocos.
Moral da história, posso muito bem assentar arraiais nas Vicentinas, beber um chazinho e comer uns scones.
Como ainda era cedo, decidiu ir até ao jardim do Princípe Real, sentar-se a fazer horas e aproveitar para dar uma vista d’olhos pelo livro. No entanto, logo após a leitura do índice, a perspectiva dos scones com manteiguinha a derreter, acompanhadinhos com um chazinho quentinho, assentou arreiais na sua imaginação.
Em breve começou a salivar.
Tenho que combater esta gula, pensou. Exercício físico! O que eu preciso mesmo é de exercício físico. Vamos lá dar um passeio a pé para distrair. Levantou-se e começou a descer, ao acaso, em direcção a S. Bento. Veio-lhe à ideia o Eclesiastes, seu momento predilecto do Livro, e uma melodia que diria mais ou menos assim: Eu não sei se hei-de fugir / ou morder o anzol / Já não há nada de novo / aqui debaixo do sol. Aliás, já os Byrds se tinham lembrado disso: for everything there is a season / and a time for every purpose under the heaven.
Ai Cesário, pensou, que melancolia nesta luminosidade. E reconfortado com a pena que sentia de si próprio, lá seguiu a cantarolar os pássaros com y.
Um estranho e intenso rumor, em breve começou a chegar aos seus ouvidos. Quanto mais descia e se aproximava de São Bento, mais nítido era o rumor. Gritos, palavras de ordem, canções revolucionárias, toldavam os céus de Lisboa nessa tarde cheia de sol. Mais uma manif, pensou. Será que estes fulanos não se cansam com manif atrás de manif, prosseguiu nos seus devaneios, com os scones em mente.
E, tal como ele amiúde poderia constatar ao longo da vida, porque a perspicácia não era, de facto, uma das suas mais evidentes virtudes, o Carlos, mais uma vez, enganou-se.
Aquela não era uma manif qualquer, ou, pelo menos, não estava destinada a ser referenciada, historicamente, como uma manif qualquer. Esta não era também aquilo que, tecnicamente, poderia ser considerado uma manif, mas sim um cerco, um cerco à, vá-se lá ver, Assembleia em São Bento. Lá dentro estavam os deputados, nos seus assentos, amarrotados, sonolentos, suados e cheiros de fomeca, e cá fora estavam os operários da construção civil... em festa.
E, mais uma vez, sem saber muito bem como, o Carlos despertou no centro da História.
Deambulando, sem rumo certo, e já sem se lembrar dos scones, lá se foi aproximando das escadarias da Assembleia. Por todo o lado, havia barreiras, maralhal, perdão, compagnons a comer sardinha assada - ao ver as sardinhas, vieram-lhe à ideia os scones-, e a beber vinho tinto. Grupos e mais grupos discursando, apresentando argumentos por entre acesas discussões...
E o Carlos lá foi andando, com a naturalidade e o ar pachorrento que lhe eram característicos.
Até que... até que alguns operários repararam que ele destoava no meio daquela festa.
As calças eram de ganga, como as de tantos que ali estavam, mas Levis todas bem engomadinhas, sem sinais de tinta de esmalte. Tinta, só se fosse da china, de alguma Mont Blanc de família mais traiçoeira. A camisa, imaculada e vincada, não enganava ninguém. As mãos não apresentavam sinais de vez alguma terem tocado numa pá que não fosse de plástico... e nas areias das praias da linha. A cara era de bebé Nestlé. E aquela trunfa, nada proletária, à Marquês de Pombal, ora bem!
E foi assim que o Carlos começou a sentir-se rodeado pelo calor humano do proletariado. Senhor! Ajudai-me, Senhor porqu’ eu não sei com’ é que fiz isto, pensou.
E logo, parecendo cair dos céus, se fez ouvir uma voz forte, firme, imponente e determinada:
-«Não há problema, pessoal,» sentenciou aquela voz que, como referi, apesar de forte, firme, imponente e determinada, não era a do Senhor. E quanto a sarça ardente, nada. O que mais dela se assemelharia seriam as fogueiras das sardinhadas. «O rapaz é cá dos nossos,» exclamou, surgindo por entre a multidão, o Onassis. Não leitor, não era propriamente o fantasma do famoso milionário, mas sim um compagnon, amigo do Carlos.
O Onassis não se chamava, obviamente, Onassis, mas sim Crespo. Aliás, era frequente, em pequenas localidades, marcadas por uma cultura predominantemente rural, que as pessoas conhecessem outras graças; maralha de um determinado estrato social, entenda-se, já que as elites preservavam as graças de baptismo e os títulos, herdados ou adquiridos. Quanto a outros epítetos, esses só surgiam, jocosamente, nas suas ausências, pela voz dos que se encontravam no estrato mais a baixo.
As alcunhas eram, na sua essência, depreciativas, ou como anos mais tarde outras elites, também elas, saudosistas, diriam, politicamente incorrectas, já que exploravam determinados aspectos físicos ou características sociais ou psicológicas, não muito simpáticas para os seus destinatários.
Para cúmulo dos cúmulos, passavam frequentemente de pais para filhos, de geração em geração, acompanhadas das narrativas que haviam estado nas suas origens.
E se o leitor esboça neste momento um sorriso, é porque desconhece as delícias e as virtudes quotidianas da vida rural.
Se calhar até compra Cds de grupos revivalistas com meninas da cidade a dançar o vira; se calhar até se saracoteia ao som dos grupos etnológicos de compagnons professores de trabalhos manuais do segundo ciclo do ensino básico com coletes pretos e cavaquinhos que rebuscam as verdadeiras raízes culturais e etnológicas do nosso povo; se calhar até simpatiza com o chique da romaria com banda no coreto.
Sossegue leitor, sossegue, leitora, pois O Senhor, na Sua infinita misericórdia, perdoar-lhe-á, já que o meu amigo e a minha amiga, tal como os da parábola, não sabe o que faz, ou tem graves problemas de paladar.
Só para ter um vago sabor das delícias da vida no campo, e se não entende a crueldade desta tradição, imagine-se a ser tratado por Texugo, até ao fim dos seus dias, só por causa de um tio-avô que você provavelmente nem sequer conheceu mas que, na sua juventude, tinha problemas de meteorismo. Imagine-se numa reunião do conselho de administração onde, por acaso, está presente um patrício que, em vez de o tratar pelos deferentes Sr. Dr. ou Sr. Administrador, exclama eufórico:
-«Olha o Texugo!» Para logo explicar aos seus pares do órgão. «Desde a escola primária que não via o meu velho amigo Texugo. Por acaso sabem por que é que ele era conhecido pelo Texugo? O avô dele era famoso por estar sempre a dar uns tra...»
Ou então, no caso da leitora, pense no gozo que teria ao ser conhecida, ao longo da vida, por Mata-Hari, devido a uma bisavó coscuvilheira. Imagine-se a ser tratada assim em todas as circunstâncias da sua vida. Recorra à sua imaginação, pois não há circunstância que escape; não há, não!
O Crespo recebera, naturalmente, o cognome de Onassis porque alguém nele descortinara semelhanças físicas com o milionário. Outra ilustre personagem histórica era o Xärxíl, neste caso devido ao seu aspecto bonacheirão e à sua imponência física que fazia lembrar o estadista inglês Winston Churchill. Havia ainda, entre muitos mais, o Vietcong, assim agraciado porque, certo dia, fizera um imenso escabeche no parque de campismo para montar a barraca - as tendas foram inventadas mais tarde, quando a solenidade democrática as consagrou para retirar do limbo social as remediadas férias do popolo minuto. Corria a guerra do Vietname, e alguém exclamara:
-«Porra, a barulheira que estes gajos fazem, até parece que vêm aí os vietcongs!»
Escusado será dizer que o filho dele também se chama vietcong, e que o netinho, ainda com alguns meses, já herdou um carinhoso vietconguezinho, nome com o qual entrará para o jardim de infância, e que o acompanhará até à casa de repouso. Excepto se fugir para a cidade, e não regressar às origens; e mesmo assim há que rezar para que nunca haja a tal reunião do conselho de administração, onde alguém se lembre do vietconguezinho.
Trata-se, como pode constatar, de uma espécie de versão rural da anamnsesis grega.
Além disso, as alcunhas podiam ser mesmo particularmente cruéis e ... divertidas, caso não fossemos nós os destinatários.
Atentai, caro leitor, cara leitora, nos seguintes exemplos escolhidos ao acaso: o Lâmpada Fundida, assim nomeado porque tinha um olho de vidro; o Pintas, um infeliz que ficara todo marcado pela varicela; o corno de vaca, assim apelidado porque, segundo se dizia, a mulher tinha um caso com outra mulher; ou, para encerrar este breve e sumário catálogo, o Tuiste, um carteiro que tinha uma perna ligeiramente mais curta do que a outra.
Ser-me-á perdoada a digressão mas ela impõe-se pela sua pertinência histórica, visto o nosso frágil herói ter estado presente no instante do baptismo do Tuiste. A cerimónia teve lugar numa manhã ainda o Dezembro de 1973 acabara de dar os primeiros passos, quando o tímido sol de Outono convidava os frequentadores do café do Presidente da Junta de Freguesia a vir até à esplanada para observar as derradeiras tansumâncias femininas em direcção à praça. O padrinho fora o Jorge Caldeira, um aristocrata genuíno. Como qualquer aristocrata genuíno, o Jorge nunca conhecera os apertos de um relógio de ponto, e vivia dos rendimentos familiares com a mãe num palacete à saída da vila. O ócio era, também ele, genuinamente cultivado. Nesse dia, tal como nos outros dias, o Jorge levantara-se a meio da manhã, tomara o seu duche, escanhuara-se, vestira-se, tal como sempre, em tons castanhos e bejes, com o seu colete, em cujo bolso se insinuava um relógio, preso pela corrente de prata ao segundo botão a contar de cima, o seu laço com o nó feito par lui-même, e fora até ao café saborear a bica, acompanhada do inevitável Monserrate e de uns triviais dedos de conversa.
Hélas, restava-lhe apenas um par de anos de vida, já que um dos seus hobbies do ócio lhe minava, em silêncio, o fígado.
Contemplavam o Carlos e o Jorge o rame-rame habitual, quando este interrompeu o silêncio:
-«Já reparou no fulano?»
-«O Nelo da Albertina?» Inquiriu o Carlos.
-«Sim,» anuiu o Jorge. «O Carlos não notou que o pobre de Cristo, anda sempre a subir e a descer, a subir e a descer, até parece que está sempre a dançar o twist.» A boca espalhou-se e o Nelo da Albertina deu lugar ao Tuiste.
Regressando ao que importa.
Naquela tarde junto à Assembleia, graças ao Onassis, o Carlos não comeu... uma doze de porrada dos compagnons da construção civil, nem provou scones com manteiguinha, mas, em contrapartida, petiscou umas deliciosas sardinhas assadas acabadinhas de fazer. Não bebeu chazinho preto, mas, em contrapartida, deu uns goles de uma excelente pomada. Não se sentou confortavelmente numa cadeira nas Vicentinas, mas, em contrapartida, empoleirou-se, às gargalhadas, nos muros da Assembleia. Não andou a deambular, ao acaso e melancólico, pelas ruas de Lisboa, recitando mental e atabalhoadamente Cesário Verde, mas, em contrapartida, teve direito a uma divertida visita guiada ao centro da História pelo meio dos sitiantes.
Enquanto se passeava com o amigo, veio-lhe à ideia a mensagem que enviara para outro Assento mais bem colocado, e concluíra que, naquela tarde, também Ele estivera ali, em São Bento, no cerco dos operários da construção civil.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Uma manhã de trabalho na CPLP
Reunião da Comissão Temática de Educação, Ensino Superior, Ciência & Tecnologia, dos Observadores Consultivos da CPLP, que coordeno em representação da Sociedade de Geografia de Lisboa. Várias medidas relevantes aqui adoptadas: a da divulgação de notícias envolvendo a comissão temática através da plataforma informática, a criação de um grupo que irá operacionalizar o Instituto Paulo Freire (uma ideia de Ana Benavente que ela irá implementar através do grupo que envolve representantes, não só dos observadores consultivos, mas também das entidades convidadas), e a criação de um grupo que irá levar a cabo uma conferência, em Março, sobre a mobilidade académica no âmbito da CPLP. Há quem considere que faz política e intervenção social através de posts no Facebook, eu, à velha maneira clássica, prefiro trabalhar. E, como se pode ver pelo elevado número de pessoas presentes na sala, muitos mais subscrevem estes hábitos tradicionais.
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Coincidências, ou o que é essencial?
Começando o dia com a habitual azáfama de mails, plataformas, impressos para preencher, reuniões a agendar, quando sou surpreendido por este passo de Lucas 10,38-42:
Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa.
Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me».
O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas,
quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».
Aqui fica o modo como Velásquez viu este episódio sobre a importância "de não perder o Norte, de saber o que é essencial." E o que é essencial para ti?
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Can I recognize God in this place
and in the ordinary people around me? Can I become aware of God’s presence here now? Interpela a voz de hoje em Pray as you go. Sim, em timbres de voz, em certa forma de sorrir, nesses "instantes límpidos, incomparáveis, de que não conhecemos as regras, [que] são portadores da possibilidade de sentido e redenção para a vida," de que fala Tolentino; nas memórias desses instantes partilhados com estes dois amigos que partiram demasiado cedo neste Verão, Stephen van Loo (1950-2015) e Fátima Araújo (1955-2015).
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Acabou de chegar...
Lembram-se dos Communards? Do teclista, Richard Coles? Pois hoje, a designação correcta será Reverendo Richard Coles. Estas são as primeiras linhas do recentemente publicado Fathomless Riches, or how I went from pop to pulpit:"In a plain little room out of the sun, religious zealots in robes and beards meet to study the teachings of the founder of their sect. In the hum of their discourse and the rhythm of their prayer summaries of his teaching emerge, are worked up, recorded and broadcast to the communities he founded, fractious and disobedient, in the cities and towns of that hot volatile region.
The teacher we know as St. Paul. He lived in the first century in Palestine, and those summaries we know as his epistles, or letters, to the communities he founded. Paul was born a Jew and became a brilliant scholar, so devout and so rigorous he was charged with putting down a weird little sect that had sprung up and around an itinerant rabbi from the north, Jesus of Nazareth, whose teaching was so scandalous, so threatening, that he had been handed over to the Romans and executed.
And then something extraordinary happened. Paul, who had never seen Jesus or heard him teach, encountered him in a way that was so dazzling he was first blinded by it. When he recovered his vision he saw something never seen before: the God who created the universes fully realized in a man, the expectation of the Jewish people not only fulfilled but surpassed, and the offer of salvation to all."
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Erbarme dich, mein Gott
Erbarme dich from Bach’s St Matthew Passion. Erbarme dich, mein Gott, um meiner Zähren willen ‘Have mercy, my God, for the sake of my tears.’ As you sit here now, what are the sorrows and pains you are carrying?
Today’s reading is from the Gospel of Matthew 18:21-35.19:1:
Peter approached Jesus and asked him, "Lord, if my brother sins against me, how often must I forgive him? As many as seven times?"
Jesus answered, "I say to you, not seven times but seventy-seven times.
That is why the kingdom of heaven may be likened to a king who decided to settle accounts with his servants.
When he began the accounting, a debtor was brought before him who owed him a huge amount.
Since he had no way of paying it back, his master ordered him to be sold, along with his wife, his children, and all his property, in payment of the debt.
At that, the servant fell down, did him homage, and said, 'Be patient with me, and I will pay you back in full.'
Moved with compassion the master of that servant let him go and forgave him the loan.
When that servant had left, he found one of his fellow servants who owed him a much smaller amount. He seized him and started to choke him, demanding, 'Pay back what you owe.'
Falling to his knees, his fellow servant begged him, 'Be patient with me, and I will pay you back.'
But he refused. Instead, he had him put in prison until he paid back the debt.
Now when his fellow servants saw what had happened, they were deeply disturbed, and went to their master and reported the whole affair.
His master summoned him and said to him, 'You wicked servant! I forgave you your entire debt because you begged me to.
Should you not have had pity on your fellow servant, as I had pity on you?'
Then in anger his master handed him over to the torturers until he should pay back the whole debt.
So will my heavenly Father do to you, unless each of you forgives his brother from his heart."
When Jesus finished these words, he left Galilee and went to the district of Judea across the Jordan.
Jesus speaks bluntly in this passage of the pain of being unforgiven, and even of punishment, in a way that might seem threatening. But the underlying message here is about forgiveness, about the need for forgiveness. For a few moments, can you call to mind what un-forgiveness there is in your life? - hurts you have suffered from other people that you haven't got over, or lingering guilt you might feel about things you've done to others that you wish you hadn't?
Now think of those first words Jesus utters in this passage, that Peter should forgive "not seven times, but seventy-seven times", and for a moment, imagine him saying this to you. When you apply this to your situation, how does it make you feel? More at ease? ... or perhaps inadequate? ... or does it stir in you some desire for a change of heart?
Read again to the first part of the reading, noticing how you feel at the moment when the king has pity and forgives.
Unforgiven pains and resentments hurt the person who won't forgive as much as the person who is not forgiven. Speak to the Lord now about any guilt or resentment you need to be liberated from. Sometimes you can only honestly say, "I would like to forgive, but I can't at the moment." That desire may be enough for now.
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