quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Jornadas de Teologia
Aqui fica o programa, com o convite para quem possa estar interessado:
10.00 – Abertura
ALFREDO TEIXEIRA (Diretor do IUCR-FT) JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA (Diretor do CERC-FT,
Vice-Reitor da UCP)
10.10 – Performance
«O balão», Nuno Tovar de Lemos DANIELA VIEITAS
10.30 – Navegamos sem mapa? O testemunho cristão num mundo incerto
D. MANUEL CLEMENTE , Patriarca de Lisboa Moderador: João Lourenço (Diretor da Faculdade de Teologia)
11.30 – O apelo da fé nos lugares de vulnerabilidade HENRIQUE JOAQUIM (FCH-UCP) ISABEL GALRIÇA NETO (Unidade de Cuidados Paliativos
do Hospital da Luz) JOSÉ MANUEL PEREIRA DE ALMEIDA (FT-UCP) Moderador: Clara Melo (ICS-UCP)
13.00 - Pausa
14.30 – O corpo: lugar (i)limitado? INÊS GIL (ULHT) ANTÓNIO MARTINS (FT-UCP) Moderador: Américo Pereira (FCH-UCP)
15.30 – Dizer Deus na precaridade das linguagens MÁRIO AVELAR (UA, CERC) ALFREDO TEIXEIRA (FT-UCP) Moderador: Guilherme Almeida e Brito (FCEE –UCP)
16.30 – Pausa
16.45 – Uma casa para Deus? A arte de habitar o provisório
BORGES DE PINHO (FT-UCP) BERNARDO MIRANDA (ISCTE-IUL) Moderador: Luís Barreto Xavier (FD – UCP)
17.45 – O Evangelho da fragilidade: des-cobrindo a teologia de Paulo
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA (Diretor do CERC-FT,
Vice-Reitor da UCP) Moderador: Alfredo Teixeira (Diretor do Instituto
Universitário de Ciências Religiosas - UCP)
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
"Deu-lhe um amok!"
Esta era uma expressão que dizíamos, na minha adolescência,quando alguém (como se diria hoje) "se passava dos carretos". A sua origem está, como a rapaziada da minha idade sabe, no célebre livro de Stephan Zweig. Porque o meu pai tinha uma grande paixão por este autor, abundavam os livros dele, devidamente encadernados, na biblioteca familiar. Foi, por isso, um dos meus autores de adolescência (o que poderá explicar algumas disfunções...). Reli o Amok há algum tempo, assim como, entre outros, a biografia de José Fouché. Fi-lo porque acho que a literatura, além de outras coisas, nos ensina a olhar melhor para a vida. De facto, ao ver o percurso de vida deste homem que, antes da revolução francesa foi um reaccionário assumido, com a revolução, foi o mais fervoroso dos revolucionários, e que, durante o resto da vida, andou sempre à tona de água, acolhendo as diferentes e contraditórias marés com notável capacidade de resistência, não pude deixar de pensar nos "Josés Fouchés" que pairam por aí, nomeadamente... no meu local de trabalho. Penso (lá vou eu consolidar pequenos ódios!) naqueles e naquelas que, ainda não há muito tempo, apoiavam quem queria transformar-nos numa espécie de novas oportunidades universitárias e que hoje são... adeptos da mudança de rumo a favor da investigação.
Resta-me a consolação de que o Fouché acabou ostracizado por todos. Será que isto sucede aos "Fouchés" que por aí andam? Não necessariamente!
Enfim, resta a lição de que a literatura tem virtudes pedagógicas... ainda que inesperadas.
Aqui fica, portanto, a sugestão de leitura!
terça-feira, 15 de outubro de 2013
"Blue Jasmine", um apontamento
dos Cahiers a propósito de... (um pausa em busca de adjectivos, mas ela é tão singularmente bela que o melhor é ficar pelas reticências...) Cate Blanchett no mais recente Woody Allen:
"Peut-être Allen est-il devenu moins drôle que misanthrope. Mais il faut redire à quel point l'amour d'un acteur peut parfois emporter un film. La prestation de Cate Blanchett, ahurissante, en vient même à disputer au cinéaste la 'paternité' de cette belle créature brisée qu'est Jasmine. Non contente d'atteindre un débit vocal à la Katharine Hepburn, Blanchett nous offre un véritable précis de vexation, alternant l'onctuosité de toute sa personne avec de subites crispations du corps et du regard, dans un grand déraillement progressif qui dit, sans jamais tomber dans l'hystérie, toute l'horreur et l'aveuglement consenti de son personnage face aux salissures du réel. L'art de la nunace et de l'altération, la blue note des jazzmen qui donne à Jasmine sa teinte, c'est bien elle qui les tient."
Bons filmes!
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
A importância de uma matriz hoje
quando prevalece a indiferença da Europa e das suas instituições face a uma tragédia reincidente, o naufrágio em Lampedusa.
Lembre-se este passo de Evangelho segundo S. Lucas 10,25-37:
"Naquele tempo, levantou-se um doutor da Lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?»
Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?»
O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.»
Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem; faz isso e viverás.»
Mas ele, querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?»
Tomando a palavra, Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando o meio morto.
Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo.
Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo: 'Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.'
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
Respondeu: «O que usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»"
E veja-se o comentário de Bento XVI nesse belo texto que é Deus caritas est:
A parábola do bom Samaritano (cf Lc 10,25-37) leva a dois esclarecimentos importantes. Enquanto o conceito de «próximo», até então, se referia essencialmente aos concidadãos e aos estrangeiros que se tinham estabelecido na terra de Israel, ou seja, à comunidade solidária de um país e de um povo, agora este limite é abolido. Qualquer um que necessite de mim e eu possa ajudá-lo, é o meu próximo.
O conceito de próximo fica universalizado, sem deixar todavia de ser concreto. Apesar da sua extensão a todos os homens, não se reduz à expressão de um amor genérico e abstracto, em si mesmo pouco comprometedor, mas requer o meu empenho prático aqui e agora. Continua a ser tarefa da Igreja interpretar sempre de novo esta ligação entre distante e próximo na vida prática dos seus membros.
É preciso, enfim, recordar de modo particular a grande parábola do Juízo final (cf Mt 25,31-46), onde o amor se torna o critério para a decisão definitiva sobre o valor ou a inutilidade de uma vida humana. Jesus identifica-Se com os necessitados: famintos, sedentos, forasteiros, nus, enfermos, encarcerados. «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,40). Amor a Deus e amor ao próximo fundem-se num todo.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Ciberteologia
foi o tema da conferência de Antonio Spadaro proferida ontem à tarde. Hélas deixei em casa o meu caderno de notas, pelo que assisti à conferência com um misto de revolta (pelo esquecimento) e de impotência (pela manifesta incapacidade de guardar na memória todas as suas reflexões pertinentes). Em contrapartida, mal ela terminou desci a comprar o livro. E foi assim que passei o resto da tarde e o serão, sem interrupções (excepto para ver o episódio sete da 2ª temporada de Newsroom) a lê-lo; algo que concluí pouco depois da meia-noite. Deixo-vos um breve passo que, obviamente, tem a ver com a literatura; ou não fosse Spadaro, também, um estudioso da literatura anglo-americana:
"Foi o poeta Gerald Manley Hopkins que me ajudou a entender o papel da inovação tecnológica; o jazz fez-me entender o papel das redes sociais; os teólogos - de Tomás de Aquino a Teilhard de Cahrdin - esclareceram-me em relação às forças que tornam o homem actuante no mundo, participando da Criação, e que o elevam a uma meta que o supera, bem além de qualquer excesso cognitivo. É a pesquisa inesgotável de sentido que me fez entender o valor do cabo usb que tenho nas mãos. E sei que o meu iPad tem a ver com o meu desejo inextinguível de conhecer o mundo, enquanto o meu Galaxy Note me diz (mesmo quando está silencioso) que eu não sou feito para ficar sozinho. Mas é a poesia de Whitman que me dá o prazer do progresso. E é Eliot que me faz estar atento, para não cair nas suas armadilhas. Mas é também Flannery O'Connor que me faz entender que 'a graça habita mesmo no território do diabo' e, pouco a pouco, o invade. E, portanto, entendo que, mesmo vendo tanto mal na Rede, não posso parar e descansar sobre os louros de um juízo negativo, se..." Bom, fico por aqui, com os points de suspension, para vos aguçar o apetite.
Boas leituras!
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
"De que lado estás?
Dos que só querem saber, como Heródes, ou dos que querem seguir e imitar, como Zaqueu?" Perguntava-se, hoje, no comentário a Lucas, 9/7-9.
Esta pergunta levou-me a reler o prefácio de Alexandre Palma a Paciência com Deus, de Tomás Halík. Escreve ele sobre o que pode significar "ser Zaqueu" hoje, e, consequentemente, sobre o gesto "do pequeno Zaqueu, o cobrador de impostos que procurava ver Jesus"; sobre "a sua discreta curiosidade, aquela esperança muda, a timidez que o traz à distância": "Na voragem da comunicação moderna, onde o (ab)uso da imagem e da palavra vai ao limite da sua própria corrupção; na contemporânea necessidade de aparecer para sobreviver, facilmente se empurram para as franjas os tímidos, os inseguros, os discretos, os calados. Ora Halík faz destas franjas, faz do que nelas se escondem, os protagonistas. (...) Fá-lo sobretudo para que se aprenda a lição destes Zaqueus: a inquietude interior, o espírito de busca não são um opcional do itinerário da fé." É, pois, pertinente a epígrafe colhida em Santo Ambrósio que Alexandre Palma escolheu para prólogo do seu texto: "Zaqueu no sicómoro é o fruto novo da nova estação".
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
"Definir o tempo pela sua qualidade"
No termo das férias importa reflectir sobre a noção de tempo. A propósito, transcrevo o excerto do texto que li no site da Pastoral da Cultura.
"«O tempo alcançou plenitude» (peplerotai o kairòs) - lê-se na proclamação inaugural de Jesus, segundo o relato de São Marcos (Mc 1,15). Olhando para a forma verbal empregue (a forma do perfeito, peplerôtai - alcançou plenitude, completou-se), vemos um tempo onde o cumprimento começou, mas que prossegue em efeitos que o presente e o futuro prolongam. Não se trata, portanto, de um tempo meramente pontual, para ser deglutido na vertigem do que passa. Nem é, de modo algum, um mero passar. A utilização que se faz aqui do lexema kairòs revela-se iluminante. Porque se usa, para designar este tempo aberto por Jesus, o substantivo kairòs em vez de chrónos? Há uma diferença entre ambos: o kairòs exprime uma qualidade do tempo; enquanto que chrónos designa a quantidade. O significado fundamental de kairòs é o de uma expressão decisiva do tempo, o seu ponto essencial, fugindo a um entendimento estritamente cronológico. Em autores antigos tão diversos como Sófocles ou Aristóteles, ou já na tradução grega da Bíblia hebraica, kairòs ganha, não raro, um sentido religioso, a ponto de coincidir com a revelação do próprio Deus. Essa é a perspetiva do Novo Testamento, que interpreta o tempo como lugar do irromper de Deus, propício e determinante. De facto, não é o tempo quantificado que dará alma ao mundo, mas o tempo qualificado pela decisão e pela experiência da graça e do dom."
Subscrever:
Mensagens (Atom)






