domingo, 7 de dezembro de 2014
Portugal Baillonné
Em 1972 este livro foi pelo meu pai trazido de Paris, e por estes lados lido às escondidas. Há 9 anos, em Abril de 2005, Mário Soares teve a gentileza de me receber para o autografar e ... para conversarmos um pouco sobre literatura americana. Falou-me dos romancistas que marcaram a sua geração, como Steinbeck e Caldwell e, para espanto meu, de Philip Roth. Então com oitenta anos, Soares não ficara preso às referências do passado e continuava atento às novidades. Há uma semana, cruzámo-nos frente à biblioteca nacional e, uma vez mais, teve a gentileza de me saudar. Hoje, quando ele completa 90 anos, aqui fica este pequeno tributo.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Walt Whitman
Só para vos despertar o interesse, eis o início do primeiro capítulo (que não é o início do livro!) do meu Essencial sobre Walt Whitman que sairá, em breve, na colecção em que já saiu o meu Esssencial sobre William Shakespeare. Aqui fica, com um abraço:'"Que diria, caro leitor, se eu reclamasse uma relação muito, muito próxima com George Washington, Thomas Jefferson e Andrew Jackson? … Muitas vezes tive o imortal Washington às cavalitas … O tronco do sagaz Jefferson foi rodeado por um dos meus braços enquanto os dedos do outro lhe indicavam letras para soletrar. E embora Jackson seja (estranho paradoxo!) consideravelmente mais velho do que os outros dois, muitas foram as corridas e as cambalhotas que demos os dois.” (Loving 87)
Quando preparou a sua narrativa de memórias, Dias Exemplares, Whitman intitulou uma das secções iniciais “Paumanok, e a minha vida aí em criança e na juventude”. O título revela a relação simbólica entre as impressões iniciais da juventude e as poéticas da maturidade, a qual é evidente naquele que um dia seria dos seus poemas mais conhecidos, “Saído de um Berço, Sempre Embalado”. Escreveu então:
"Eu, aquele que canta as dores e as alegrias, que une o presente e o futuro,/
Aceitando todas as sugestões para se servir delas, mas dando um rápido salto para além delas,/
Canto uma recordação.//
Outrora em Paumanok,/
Quando o perfume do lilás pairava no ar, e a erva de Maio crescia,/
Ao longo desta praia, nas roseiras bravas... (Whitman 237-238)"'
Bom fim de semana!
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Excerto do Diário de T. E. Hulme
sobre a vida nas trincheiras, na I Guerra Mundial: "The only thing that makes you feel nervous is when the star shells go off & you stand revealed quite clearly as in daylight. You have then the most wonderful feeling as if you were suddenly naked in the street and didn't like it... It's really like a kind of nightmare in which you are in the middle of an enormous saucer of mud with explosions & shots going off all around the edge, a sort of fringe of palm trees made of fireworks all round it." O TLS apresenta, esta semana, um ensaio sobre o poeta da autoria de Patrick McGuiness.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Histórias de vampiros
Amanhã, dia 21, às 11.30h, no colóquio/congresso Mensageiros das Estrelas, na FLUL, estarei a falar de vampiros. Only Lovers Left Alive, diga-se. Aqui fica um segmento da minha intervenção: "16. Também Detroit, signo da indústria automóvel – Motor Town – e da indústria musical – a editora Motown, participa da dimensão fantasmática do espaço, agora eleito à categoria de ruína. Ruína não significa, contudo, termo, fim, morte, pois, como recorda María Zambrano, “[a]s ruínas são o que há de mais vivo da história, pois só vive historicamente aquilo que sobreviveu à sua destruição, o que ficou em ruínas. E assim, as ruínas dar-nos-ão o ponto de identidade entre o viver pessoal – entre a história pessoal – e a história.” (Zambrano 217) Cidade fantasma, cidade espectral, signo da ambiguidade entre Ser e Parecer. Deste modo, de acordo com o optimismo de Eve, “há-de renascer.” "
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Uma forma de estar em boa companhia
Desde a minha adolescência que a música me acompanhou nos momentos de estudo. E assim continua a ser. Hoje, enquanto trabalho, continuo a tentar descobrir novas melodias. Deixo-vos aqui o registo de alguns músicos que me acompanharam enquanto andava à procura de uma linha condutora para a minha apresentação no congresso Mensageiros das Estrelas, sobre Only Lovers Left Alive. Os músicos são todos de jazz. Talvez vos interessem. A foto é de Ivo Perelman, um saxofonista brasileiro, nascido em 1961. Um jovem, portanto. Eis então os nomes destes amigos pela sequência que os ouvi: Archie Shepp, Randy Weston, Thomas Tedesco, David Murray (vi-o nos EUA e aqui em Lisboa), Kit Downes, Sadao Watanabe, Luca Luciano (tem nome de gangster, mas, embora seja italiano, fica-se pelo saxofone), Andrew Hill, Jimmy Giuffre, David Binney, Roy Haynes, Alice Coltrane (sim, foi casada com o Mestre), Nheap (um projecto de Massimo Discepoli), Kenny Barron, Regina Carter, Lynne Arriale, Ivo Perelman, Eric Vloeimans, John Patitucci, Odean Pope. É só escolher...
Lewis Carroll
Acaba de vir a lume esta tradução dos clássicos de Lewis Carroll, publicada pela Relógio D'Água. Entre estes textos surgem cartas suas por mim traduzidas algures nos anos 90. Aqui fica a informação.
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